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Não Desista... de Acreditar
Por Marina "Truth" GonZáleZ
24/08/2008

Em meio a uma Lua Cheia inicia-se aquela melodia peculiar que se repetiu por nove anos... E finalmente os cinco anos de espera se findaram...

Compro as entradas e sento em uma cadeira de cinema. Sem pipoca como da primeira vez. Sem ter mais dez anos como da primeira vez. O tempo passou e meus olhos são críticos, mas não menos hipnotizados do que os que assistiram Arquivo X pela primeira vez.

Arquivo X evoluiu. E nós – eXcers – evoluímos. Contudo achamos que Mulder e Scully não acompanhariam o tempo... Porém eles acompanharam. Nós é que ficamos para trás ao acreditar que eles ficariam no passado. Depois de 12 anos sendo fã da série (desde 8 anos, hoje tenho 20) dou-me conta de que apenas agora compreendo o cerne do seriado. Tive uma “epifania”. Não são os alienígenas, os mutantes, as doenças raras, os videntes, os homicídios, as conspirações... Transportemos isso para a realidade: esses são desafios. Como assim? Quando Mulder tenta resolver um caso pelo inexplicável, vêm Scully e coloca a ciência. Essas são as duas vertentes, as duas formas de resolver o enigma e, que na maioria das vezes, se mesclam. Nossa vida é o resultado disso. Não conseguimos pensar do mesmo modo a vida inteira, precisamos reunir conceitos para formular uma opinião. É assim que treinamos a nossa flexibilidade e capacidade de convívio... é assim que treinamos a humildade.

Esse filme veio em boa hora em minha vida. Veio em uma época de decisão. Parece até que consigo sentir a incerteza de Scully entre ajudar Mulder ou se concentrar em seu paciente. E coloco-me no lugar de Mulder pela teimosia de querer resolver as coisas o mais depressa possível, sem pensar no que os outros vão dizer dos meus métodos. Não teríamos nós um pedaço de deles? Fé, razão, incerteza, angústia... Esses compõe a bagagem daqueles que aspiram a desvendar a verdade.

Normalmente somos guiados pelos nossos ideais e sonhos, mas não nos achamos capazes de conseguir triunfar. Então, fonte em que menos se espera, ouvimos : “NÃO DESISTA”. E queremos entender o porque que nos disseram isso. Não desistir de quê? Primeiro é não desistir de si mesmo. Para não ficarmos trancados em um quarto “barbudos” e “felizes como um marisco”. E segundo, é não desistir de acreditar que com afinco podemos conseguir o que desejamos... Aí, quem sabe num futuro, poderemos passar algum tempo em um barquinho no meio do mar...

Chegamos a uma etapa da vida em que temos as ‘’nossas próprias batalhas pra lutar’’ e isso implica a renúncia de outras vontades. O importante não é apenas a seleção que fazemos, mas, sim, o dia em que olhamos para trás e vimos que fizemos tudo o que queríamos (ou quase tudo)... E que principalmente não nos arrependemos do todo. Mulder e Scully podem ter se arrependido muito de várias escolhas e que lhes custaram algumas vidas... Mas agora eles têm um ao outro. E é um laço que se construiu baseado em cumplicidade e respeito e que vai muito além de uma efemeridade sexual, já que os toques mais sutis e os olhares penetrantes traduzem melhor os sentimentos. Acredito que sejam esses os relacionamentos duradouros.

Em meio a uma Lua Cheia inicia-se aquela melodia peculiar que se repetiu por nove anos... E finalmente os cinco anos de espera se findaram... Foi indescritível reviver a atmosfera de Arquivo X. O que para alguns é besteira ficcional, pra mim foi a melhor época da minha vida desde então. Devo muito a todos que fizeram e fazem de Arquivo X um sucesso. Não pelo passatempo, mas pela lição que série me trouxe para vida e que só agora consigo absorver. Sempre quis ser Scully e hoje vejo que não estou muito longe. E mais, estou cercada de algumas Scullys... São mulheres fortes, com capacidades raciocínio para os mais diversos assuntos, são sensíveis e elegantes. E, ainda que perdidos, devem existir uns Mulders por aí... São homens irônicos e inteligentes, sagazes e determinados.

Portanto, é errado dizer que o segundo longa metragem de Arquivo X teve um enredo raso. Ele serviu para mostrar nossos queridos personagens de um ângulo diferente: mais real, caseiro e intimista. É um filme instigante e controverso, por isso é polêmico. Logo, ser uma criação diferente daquilo que sempre se viu é o que faz de Arquivo X uma incógnita. E na trama como na vida, nada é certo e delineado. Os vários “Xis” que enfrentamos é o que proporciona um crescimento pessoal de nos impulsionar para as decisões que devemos tomar em algum momento da vida. Ensina-nos a NÃO DESISTIR, a QUERER ACREIDTAR que o que desejamos pode ser conseguido. E como ainda temos perguntas a serem respondidas, pois a verdade não foi totalmente desvendada, cá estou para aprender e transgredir cada vez mais...

O meu tempo está passando, mas nem por isso refuto minha paixão (sim, paixão) de ser fã. E nunca deixei de procurá-los. Eles se fazem presentes em momentos de diversão, de reflexão e de crescimento. Só espero que eles tenham a noção de como são necessários e indispensáveis para o meu equilíbrio vital. Arquivo X faz parte de um mundo que eu, tremulamente, construí e se tornou alicerce do meu encanto pela vida.

É demais para um seriado de tevê? Não. Demais é não ter no que acreditar e nem pelo o que lutar. Com eles aprendi a ter...fé. E vocês?

 

Marina "Truth" GonZáleZ
Agosto de 2008.


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